Tuesday, March 13, 2007

Guitarra e folclore num só tom

Os últimos toques da guitarra e bateria alinhadas dão o tom final do segundo show da 2ª edição das seletivas Mada-Laboratório Pop 2007, realizado no Teatro Odisséia, na 5ª feira última. O ar rock-poser manjado da banda anterior, dá lugar a um clima mais leve assim que uma menina de cabelos negros e fios curtos levemente desajustados uns aos outros, vestida como se fizesse parte do corpo de baile de um balé contemporâneo pousa seus pés descalços no lugar de onde, daqui a poucos minutos soarão belos timbres. Reparo no seu jeito de andar, de olhar, nos seus pequenos gestos graciosos enquanto aguardo ansioso por mais uma gin tônica. Ao mesmo tempo, a menina leva à boca e toma - entre um acerto e outro com o roadie – em curtos goles um líquido dourado, que a essa altura já se encontra pela metade de sua garrafinha de vidro transparente. Puro charme.
Depois de acarinhar e ambientar suas castanholas no chão bem ao lado de sua bolsa, cuja estampa preta de bolinhas brancas me faz lembrar as cores das penas de galinha d'Angola, faz-se hora de começar o espetáculo.
Letras e melodias reverberam pelo teatro se traduzindo em música e movem minha imaginação em pouquíssimo tempo para outro lugar. Ao som da bela voz da pequena e dos poderosos acordes de seus companheiros, imagino - sem fazer muito esforço - a banda numa cena árida entremeada a cores e luzes quentes, como vermelho e amarelo, ilustrando seus poemas folclóricos e de temas fortes, entrelaçados às guitarradas, que ecoam e insistem em nos remeter a um cenário seco, porém luminoso, assim como é o som e a atitude da banda Manacá.

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